Como conseguir uma namorada em reddit faculdade

Eu tenho 24 anos e decidi desistir.

2020.10.29 20:03 queijinhos Eu tenho 24 anos e decidi desistir.

É isto, finalmente cheguei a esse ponto. Não consegui emprego nem freela, o dinheiro acabou de vez. A pandemia terminou de levar minha dignidade. Nem no McDonald's consegui uma entrevista - eu tenho Asperger, nunca tive carteira assinada. Ninguém quer me contratar.
Meus pais não podem mais me ajudar. Eu posso ficar aqui, mas eu preciso arrumar um emprego - minha mãe disse. Minha namorada começou a me cobrar o dinheiro que tinha me emprestado e eu tenho 32 reais na minha conta.
Me pego pensando várias vezes ao dia em como eu gostaria de voltar no tempo. Há dois anos, eu tinha um estágio e não tinha dividas. Aí a doença veio, o desemprego, o corona, a humilhação, as contas. Já vendi praticamente tudo o que eu tinha, um pessoal aqui do reddit me ajudou mas ninguém me deu a entrevista que tinham prometido. Eu só realmente queria um emprego. Eu realmente queria viver com dignidade.
É muito difícil ter um transtorno mental, uma doença física, não estar no padrão e ter 24 anos. Viver é isso? Preocupação o tempo todo? Medo de acabar morando na rua? É não conseguir dormir porque se meu pai morrer ou decidir que não vai mais ajudar, eu não vou mais tomar um remédio que me faz ser funcional? É rodar em todas as entrevistas e gastar dinheiro que eu não tenho pra ir nelas? É precisar dizer "tive um problema de saúde e é por isso que meu currículo é vazio, por isso que não terminei a faculdade" toda vez que alguém questiona e receber olhar de pena mas nunca ajuda?
Eu tenho 24 anos. Meus amigos estão casando, tendo filhos, se formando, viajando. Estão em home office, em quarentena porque querem e podem, estão fazendo intercâmbio e me derrotando em todas as entrevistas.
Eu tenho 24 anos. Eu sou bolsista e a minha preocupação é conseguir 300 reais todo mês pra pagar a faculdade e forçar o plano de saúde a não me largar - porque eles não podem fazer isso enquanto eu estudo e moro com meus pais. Minha preocupação é cuidar da minha namorada enquanto ela passa por um câncer de mama e a gente não tem grana pra reconstrução. É ter grana pra pagar 500 cartões de crédito que eu fiz pra pagar outros cartões de crédito e sobreviver. Eu vendi meus livros, meus tênis. Até as muletas.
Eu tenho 24 anos e decidi desistir. Vou deitar na minha cama e esperar a morte vir e o Serasa me cobrar e os meus pais me jogarem pra fora.
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2020.07.27 04:02 Enigma_Machine1 Odeio gatos

Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que, por mais que eu odeie/não me sinta confortável perto de gatos, eu jamais prejudicaria eles fisicamente, mesmo tendo muito vontade (erroneamente, claro - talvez vocês "entendam com o meu relato). Não é disso que o desabafo se trata.
Esse é um relato meio longo.
Eu nunca convivi com gatos. Sempre cresci com cachorros em casa, tive um que me acompanhou desde a época da escola até terminar a faculdade. Amei muito ele, hoje tenho outro, um resgatado, que amo muito. Sempre amei cães, passei mais anos da minha vida com cães do que sem.
Por ter rinite alérgia, eu nunca cogitei ter um gato. E, antes de conviver com eles, eu não sabia dessa minha apatia gigante por eles. Esteticamente, até acho alguns fofos etc, mas também nada demais, longe dessa "loucura" que algumas pessoas sentem por eles.
Passei a ter um convívio maior com gatos através de uma das minhas primeiras namoradas. Ela tinha 3 gatos. Eu era bem novo, ela morava em uma kitnet, então 3 gatos já era bastante coisa. No geral eles até que eram comportados, mas lembro que acabaram estragando algumas coisas minhas (mochilas principalmente) e isso me irritava muito. Sem contar a rinite, que me deixava ainda mais irritado, mas na época eu pensava que era por estar um cômodo de uns 25m2 no máximo, sem ventilação adequada.
Eu namorei pouco menos de 3 anos com ela e foi durante esse período que a minha irritação com gatos aumentou. Uma das gatas SEMPRE dava o jeito de fugir do apartamento dela pro corredor e pro jardim que tinha no prédio. Minha ex me ligava e eu tinha que ir correndo ajudar ela a pegar a gata que, eu não entendo, morria de medo quando saía da casa (pra quê sair então, né, porra?), então era foda pegar ela, se enfiava em cada canto filha da puta de alcançar.
Os outros gatos eram um pouco mais de boa, mas a quantidade de pelos que deixavam pelo apartamento dela era um absurdo. Nem passando aspirador 2x por dia parecia que fazia alguma diferença. Minha ex não ligava, mas me incomodava ver eles estragando todos os móveis que ela tinha. Era o box da cama todo arrebentado (mesmo eles tendo arranhador), não podia ter uma única peça de decoração sobre uma mesa ou estante pois sempre derrubavam e quebravam, tinha que deixar a tampa da privada sempre abaixada pois eles davam um jeito de subir nela e não conseguir sair (burros). Até na cozinha, eu queria preparar algo pra comer e tinha pelo em tudo, mesmo se a gente limpasse.
Eu não diria que minha ex dava liberdade total para os gatos, na verdade ela sempre foi pé no chão com isso, várias vezes se irritava com a encheção de saco deles também (pra dormir principalmente - como era uma kitnet, não dava pra deixar em um cômodo separado, então era 3 da manhã e vinham encher o saco pedindo ração sendo que a porra do pote tava 90% cheio).
Enfim, terminei com ela mas o ranço pelos gatos ficou. Depois disso só tive namoradas que tinha cachorros ou então nenhum pet. Avancemos alguns anos para os dias de hoje.
Estou namorando há quase dois anos, já tenho planos de morar junto com a minha namorada, nos amamos muito e nos damos super bem. Além da parte romântica, temos um companheirismo e uma amizade muito boa, sempre apoiamos um o outro. Claro que já tivemos brigas, eu tenho os meus problemas e ela os dela, mas nada que não conseguimos superar na base da conversa. O único problema é que ela tem 6 gatos.
Recentemente, passei uns 20 dias quarentenado no apartamento dela. Está longe de ser uma kitnet, mas pra 6 gatos eu considero um lugar pequeno.
Eu tive, é claro, todos os problemas com minha rinite, mesmo tomando remédios de 8 em 8 horas pra aliviar. Se os três gatos dessa minha ex davam trabalho, o dobro deles é muito, muito pior pra mim.
Gente, nesses 20 dias eu vi cada coisa que me irritou pra além do limite. Obviamente que não demonstrei isso, mesmo ela tendo plena noção que pra mim bicho é bicho, humano é humano (eu não mimo meus bichos, trato meu cachorro super bem, mas longe de mimar com coisas que acho frescura, tipo dar banho dia sim dia não, fazer comer só T bone australiano ao molho de ervas finas, essas merdas - ele come ração, petiscos e de vez em quando frutas, só). Eu estava na casa dela, regras dela. Só que por amar tanto gatos, e mimar eles, na minha opinião, ela dá carta branca pra eles fazerem o que quiserem, sem consequência nenhuma (nunca dá bronca, não impõe limites).
Somente durante esse período: um dos gatos resolveu afiar as unhas no meu tênis novo (só não estragou pois percebi logo nos primeiros dias e depois escondi - mas encheram eles de pelos em algumas horas, eu não sei como); um outro escolheu a mochila velha da minha namorada pra vomitar bem em cima, cheia de coisa dentro. E não foi pouco. Outro gato afiou as unhas na mochila novinha dela e já arranhou uma parte dela. Tinha literalmente acabado de chegar, ela só colocou no sofá por um instante pra arrumar outras coisas e foram lá estragar.Um outro gato você não pode nem se mexer que ele se assusta, sai correndo e derruba tudo o que vê pela frente.
Eu levei meu notebook pra poder trabalhar. Deixava ele guardado quando não usava, claro, mas enquanto trabalhava, faziam questão de ficar se esfregando nele, enchendo de pelo, queriam subir na porra do teclado toda hora, tiraram ele da tomada umas 3x enquanto carregava e um dia desligaram ele no meio de um trabalho (eu estava distraído e deixei o note uns minutos de lado).
De noite era outro pesadelo. Obviamente eu não deixava nem conseguiria dormir com a porta da suíte aberta, com os gatos circulando, pois a minha rinite simplesmente me mataria. Mas é só fechar a porra da porta que começam a raspar aquela merda. Era a madrugada inteira assim, sem contar aquele miado irritante pra caralho, incessante. Puta que pariu, eu juro que me dava vontade de abrir a porta e dar um chutaço no gato no calor do momento. Claro que não fiz isso, mas a vontade realmente existiu. Pior que nem assim acho que adiantaria. E sim, já tentamos de tudo. Aqueles produtos que supostamente repelem os gatos com cheiros ruins, arranhador, tudo - só não tentei adestrar pois não moro lá e, tirando a exceção da pandemia, eu só fico no apto dela aos finais de semana, ou então ela fica no meu, enão meu convívio com os gatos nunca passou de umas 48h, o que era suportável e não exigiria adestramento. Sem contar que acho que nunca vi na vida um gato que obedece o dono.
De manhã era sempre a mesma merda. Algum gato sempre deixava um vômito de presente em algum lugar da casa. No sofá, na cozinha, em cima da mesa. Parece que escolhem sempre o pior lugar possível pra isso.
Nem preciso falar como são os móveis da casa, não? Zero decoração pois derrubam tudo. Sofás arrebentados. Toda hora pegavam coisa do varal e derrubavam. Mesma coisa com toalhas nos boxes dos banheiros. Eu tinha que me preocupar com meu note toda hora, as vezes queria só pegar algo na cozinha e tinha que esconder ele só pra não pegarem.
"Pote de comida está semi-cheio, tendo ração pra caralho? Vou derrubar ele e espalhar ração pela casa pq quero ver ele cheio sempre. A caixinha de areia tem UM cocô? Vou ficar miando o dia inteiro até alguém limpar isso, pra depois eu sair andando e não fazer as minhas necessidades. Quer ir tomar banho? Vou entrar no banheiro com você, mas no mesmo segundo que você ligar o chuveiro, vou ficar enchendo o saco pra sair. Quer dormir? Vou ficar miando na porra da porta. Quer almoçar? Vou subir na mesa e ficar te batendo com a pata pra me dar comida, pra quando você oferecer, recusar, sair da mesa, voltar em 2min e pedir comida de novo. Abriu o armário pra pegar algo? Vou entrar aqui sem você ver, deixar que feche a porta, depois vou ficar miando e, quando perceber que ninguém vai me ajudar, vou começar a ficar com medo e tirar todas as roupas do cabide. Me pegou no colo pq tô faznendo merda? Vou te arranhar e morder pra caralho (unhas cortadas, pelo menos isso). Tá concentrado vendo TV/jogando/mexendo no pc? Foda-se, vou ficar na frente da tela e se me tirar eu entro na frente de novo. Tá de boas na cama/sofá? Vou pular em cima de você do nada ou te usar como apoio pra pular em alguma outra coisa, foda-se se te assustar."
E acho que o que mais irrita é que, nem mesmo com a minha namorada, eles parecem ligar. O máximo de afeto que eles dão é sentar no seu colo, e mesmo assim tenho as minhas dúvidas se isso é uma demonstração de afeto mesmo.
Eu não sei se é o número de gatos que me deixa puto, ou se eu suportaria se fosse apenas um. Mas na real, eu não consigo gostar desses bichos. Pra mim são seres filhas da puta, egoístas, burros (não aprendem/não querem aprender nada no sentido de adestramento), nem um pouco carinhosos, estragam absolutamente tudo o que você coloca pela frente, ou seja, você vive em função deles e não tem nada em troca, pelo contrário, só despesas. Na minha opinião, viver com gatos é viver em uma prisão onde você precisa satisfazer a necessidade deles 24h por dia.
A minha única tática que funcionou durante esses dias foi a seguinte: spray d'água e espírito de porco. Se eu via algum deles fazendo merda, já corria com o spray e borrifava na cara deles. Isso me dava uns minutos de sossego, pois eles se assustavam e ficavam num canto sem encher o saco. Tem dois gatos que eram os mais folgados (80% do que comentei foi obra só deles). O que eu fiz? Enchi mais o saco deles do que eles o meu. Pegava eles no colo a cada 2 min - coisa que eles odeiam - e ficava um tempo com eles assim, até começarem a miar que estavam irritados. Eu soltava, esperava eles se aconchegarem e pegava eles de novo. No final desses 20 dias, era suficiente eles me verem pra saírem do meu caminho. Se faziam merda, eu simplesmente aparecia na frente deles e eles saiam correndo. Fiquei satisfeito pois sei que consegui controlar um pouco eles sem violência nenhuma (o que é algo deplorável e eu jamais faria, mesmo o meu ódio por eles "pedindo" isso - eu não teria coragem).
Eu só penso que, a bem da verdade, nem isso seria o suficiente pra mim a longo prazo. Eu tive que entrar em um estado de alerta 24h por dia pra borrifar o spray/encher o saco deles e eu não conseguiria viver assim por muito tempo. Meu asco por gatos é tão grande que é só ouvir algum miado que já fico irritado.
Eu imagino que a maioria aqui vai falar que não é bem assim, que nem todo gato é assim. Pode até ser, mas todos os que conheci são esses infernos na terra. Todo amigo meu que tem gato tem alguma história do tipo. De quebrar coisas caras, de machucar pessoas, sem contar que gatos são extremamente nocivos ao meio ambiente, o que eles matam de pássaros e outros animais não é brincadeira.
Sei que cães também podem fazer coisas assim, mas cara, nem mesmo o cachorro mais "destruidor" que tive chegou nesse nível. O máximo que ele fazia era mijar em lugar errado e latir quando eu ia comer.
Enfim, fica aqui o meu desabafo. Deve estar meio desconexo pois escrevi no calor do momento, conforme ia lembrando das merdas que eles fizeram. Me sinto meio peixe fora d'água postando em um site que idolatra gatos, o reddit, mas está aí.
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2020.04.03 05:33 Pilatus29 A dor do estupro masculino, sob a perspectiva de um viciado

Bem, por onde começo?
Eu não me sinto muito bem, na verdade nunca me senti. Criei um perfil no Reddit só para desabafar aqui, mas agora não acredito mais q vou conseguir contar coerentemente o que estou sentindo. Tem muitas coisas que me aborrecem e me incomodam, mas uma se destaca entre elas. Fui estuprado pelo meu tio quando tinha aproximadamente 8 anos, algumas vezes. Ele tinha 12 ou 13 anos. Não sei muito o que pensar sobre isso, alem do que meu psicólogo me disse, de que não é minha culpa e tal. Só que dói pensar nisso. Dói ainda mais pensar que fui estuprado de novo, quando eu tinha 13 ou 14 anos, não lembro muito bem. Dessa vez eu estava em um acampamento com meu tio (o mesmo q me estuprou quando eu tinha 8 anos) e mais alguns amigos dele. Tinha muita bebida, e eu bebi demais, demais mesmo, então fui dormir. Acordei algumas horas depois, e eles já tinham comido todo o churrasco e, podres de bebados, acabaram dormindo também. Mas eu estava acordado e outro amigo do meu tio chegou. Era madrugada já, e só ficou eu e esse cara conversando (o nome dele é Duda, Eduardo), todos estavam dormindo. Eu tinha 14 anos e ele me falou de muitas coisas que eu não tinha experiência, como mulheres, festas, drogas e da vida em geral.
Ele tinha um pouco de maconha, então fechou um baseado e fumamos juntos. Ele começou a fazer insinuações sexuais, disse que ja tinha transado com meu tio e tal, e não me lembro como fomos para a beira do açude para transar. Eu já tinha curiosidade nessa época, já sabia bem que era bissexual. De qualquer modo, eu estava bêbado, e chapado. Lembro que no início eu até estava gostando, mas então ele começou a ficar mais violento. Enquanto ele me penetrava eu sentia muita dor. Tentei gritar, mas ele fechou minha boca com as mãos, enquanto eu sentia ele me rasgando.
No outro dia acordei tarde, não sei, talvez pelo 12h. Dormi na grama ao lado do açude. Eu estava na barraca, não lembro como, mas decidi ainda de madrugada ir para o açude, como que por vergonha, não sei explicar. Enfim, o fato de eu estar na beira do açude, dormindo sob um sol escaldante, ainda meio bêbado e com o calção do avesso fez os amigos do meu tio gargalharem. Duda não estava mais lá, aparentemente tinha saído de manhã bem cedo.
Chegando em casa, só conseguia me sentir mal comigo mesmo. Um sentimento de podridão e vergonha. Fiquei de ressaca o dia inteiro e defequei sangue o dia inteiro também. Resolvi esquecer o que passou, e fingir que nada aconteceu. E assim o fiz por alguns anos.
Faço terapia e já falei com alguns familiares e com a minha namorada sobre isso, mas mesmo assim, nunca em detalhes como hoje. De fato, sinto que esses dois abusos causaram um profundo impacto em mim. Enfim, também não quero ficar me vitimizando muito. A verdade é que tenho uma grande neurose sobre a minha sexualidade, mesmo me aceitando e tendo a aceitação dos outros como bissexual. Pior do que essa neurose é minha fuga preferida dos meus problemas, a maconha.
Sei que muitas pessoas conseguem usar a maconha de forma recreativa com relativo sucesso, sei que muitos também acreditam que ela não causa dependência e que é só uma erva natural. Para mim nunca foi assim. A maconha me tirou dessa dor, desse vazio que eu sinto. Toda vez que uso, me sinto alegre e exuberante, como se nada de ruim tivesse acontecido. É do caralho. Mas também cobra um alto preço. Quando não estou abstinente quero usar sempre, e se não tenho sofro. Se uso, não consigo render minimamente no trabalho e na faculdade. Chego a usar dentro do meu trabalho, e isso que trabalho em um fórum. Já são 5 anos tentando ficar limpo, e sempre recaio. Estou a 2 meses limpo, mas tenho medo do inferno do uso voltar.
Eu só queria mesmo partilhar essa história. É uma história de dor, mas espero que algo de bom possa nascer dela.
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2020.03.29 06:10 laizeneves Estou me sentindo muito incomodada com certas atitudes minhas;

Estou me sentindo muito incomodada com certas atitudes minhas;
Quando busco na memória percebo que tais atitudes não são de hoje.
Hoje escrevi um texto no Reddit respondendo ao desabafo de um jovem, sobre as dificuldades de se conseguir uma namorada;
Eu disse que sai de um relacionamento longo, e quis aproveitar ao máximo essa "nova" liberdade adquirida. E é a mais pura das verdades.
Hoje sinto falta de ter uma pessoa do meu lado, as vezes queria ter uma namorada para chamar de minha, tem o lance sexual, não posso ser hipócrita e dizer que não me importo com isso, mas também não é o ponto mais importante. O fato é que as vezes sinto muito a falta de ter alguém ao meu lado.
E eu começo a entrar em umas nóias muito loucas, as vezes tenho a "certeza" que a mina está me dando mole, encasqueto isso na minha cabeça e demora se um longo tempo até ir embora;
Vivemos hoje na era das mídias sociais, onde você consegue acompanhar os passos que as pessoas dão ao longo do seu dia a dia, isso "nos" torna participantes da vida do nosso crush;
Mas cá para nós, tudo tem limite.
Não é errado se interessar por alguém, achar a pessoa interessante, bonita, atraente, gostosa, enfim, se sentir atraído por alguém e criar expectativas de ficar com a pessoa, e se tiver oportunidade demostrar o interesse.
Mas tudo tem limite.
As vezes quero me convencer que estou certa, que a pessoa X está me dando muito mole, e nutro esse sentimento dentro de mim, é verdade que com o tempo isso passa, mas consome muito do meu tempo e da minha mente ficar pensando em situações que me levariam a ter uma chance com essa pessoa.
Sismei com a mina da faculdade.
Agora com a mina do trabalho.
Estou escrevendo este texto por causa dessa minha "fixação" por essa mina.
É verdade que eu me sinto atraída fisicamente por ela, mesmo que não saiba nada da sua vida, exceto o fato dela ter uma personalidade muito forte.
Tentei chegar, e fiquei "convencida" que ela me deu "mole".
Por mais que isso seja verdade, não posso, não quero e não devo viver em função disso.
Posso descartar todas as formas que tenho de chegar nela novamente, como posso coloca lás em pratica, mas isso tem que ser de forma saudável e genuína;
Me veio na cabeça agora uma comparação meio louca: o Thiago Nigro sempre fala que para os investimentos um dos pontos mais negativos é a ganância, é querer muito mais do que se tem e não medir esforços para conseguir, independente da forma que será adotada para conseguir o objetivo.
A ganância cega.
E tá aí a comparação que eu gostaria de fazer, é uma forma de ganância essa falta de discernimento de saber o que posso ou o que não posso, o que devo ou não fazer.
As vezes viajo tanto nessa situação que acabo alimentando mais do que deveria;
Ela está seguindo a vida dela, pode ou não se lembrar que eu existo, e eu criando planos mirabolantes para chegar até ela, pensando no que posso fazer para retornar o nosso contato se é que um dia tivemos um, o fato é que eu quero acreditar nisso tudo;
Não a tanto tempo assim, costumava me comparar aos meus amigos homens, ficava pensando porque a grande maioria deles é tão fria, não são tão sentimentais, confesso que por vezes senti inveja, mas hoje consigo me enxergar, e entender que eu sou uma pessoa extremamente sentimental, que gosto de viver de sentimentos, sentimentos esses que me tocam, que me motivam, que me despertam, e hoje sou grata por cada um desses sentimentalismos.
Mas tudo tem limite.
Sinto medo de estar passando do ponto, por mais que seja total verdade que ela esteja me dando mole, não posso ficar nessa ânsia em querelá a qualquer custo.
Ser for pra gente beijar na boca, namorar ou quem sabe casar, vai rolar independente de qualquer coisa, preciso ter maior e melhor discernimento sobre isso.
A palavra é autocontrole/equilíbrio.
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2020.03.05 06:32 FewFlamingo "Cada escolha, uma renúncia, isso é a vida"

O meu texto é sobre a vida passar depressa e escolhas profissionais erradas.
Eu tenho 27 anos, mas já estou com o pé nos 28. Eu sai do colegial sem saber o que iria fazer da minha vida. Nada me chamava atenção, e o que me chamava me dava medo de arriscar... E é assim até hoje para ser sincero.
Eu me formei no final de 2009 e passei 2010 inteiro parado (e não, eu não corri atrás para saber o que eu queria para a minha vida). Depois de muita insistência da minha mãe na época, eu resolvi fazer cursinho para prestar o vestibular de um curso de TI. Depois de 3 tentativas eu passei.
O faculdade tinha 3 anos de duração, mas eu só cursei 2 anos. Eu estava cheio de DPs e não levava a sério por dois motivos: Achava que nunca ia passar em algumas matérias e não estava gostando do curso em partes. Em partes pq a única coisa que me chamava um pouco de atenção era a parte de gestão empresarial que tinha na grade do curso.
Então, depois de pensar pouco, eu resolvi largar o curso e fazer administração. Eu sai de uma universidade publica para ir para uma paga, mas felizmente meus pais me apoiaram, mesmo sabendo que a grana ia apertar. Depois de mais 2 anos cursando eu vejo que ainda assim não era isso que eu queria. Detalhe: Eu estava com várias DPs em ADM também.
No final de 2016 a história se repetiu mais uma vez... Eu decidi largar o curso de administração para fazer Publicidade e Propaganda. Eu estava ferrado no curso de ADM, me questionei rapidamente e em 2017 já estava transferido pro novo curso. Na época eu falei pra mim mesmo: " Publicidade tem mais a ver comigo! Eu sou criativo. Eu sei que o mercado de trabalho é difícil, mas agora eu vou ter mais gás para seguir em frente e me destacar, pq agora eu to fazendo algo que eu gosto."
Eu realmente acreditei nisso no primeiro ano de curso. No segundo eu comecei a duvidar. No terceiro eu me enganava falando pra mim mesmo que a escolha tinha sido a certa. Mas agora em 2020, no quarto ano, eu vejo que eu errei mais uma vez.
Só que agora é pior que das outras vezes, pq o tempo passou. É pior pq eu não consigo estágio fácil como eu conseguia fazendo TI e ADM. Eu estou sem trabalhar há um ano... Eu to afundando e não to conseguindo enxergar as coisas direito. Eu não sei o que fazer. Eu não sei por onde começar a melhorar. Eu vou terminar publicidade, mas sinceramente eu duvido conseguir algum trabalho na área.
Estou fazendo um curso online de photoshop, mas estou demorando muito para acabar ele de uma vez.
Minha namorada diz que eu posso estar depressivo e por isso não estou com animo para batalhar, mas eu não me sinto deprimido. A vida é boa. É só o meu lado profissional que não cresce.
Acho que sou imaturo nesse aspecto da minha vida. Pior que meus pais sempre foram correria. Meus amigos também. Não me faltam bons exemplos. O que me falta, Reddit? Vergonha na cara?
Qualquer conselho ou experiencia de vida é bem vindo. mas sei lá, eu só precisava colocar isso pra fora.
Tudo que passa pela minha cabeça agora é que eu estou velho e eu perdi esse trem faz tempo. O mercado quer gente mais nova e mais disposta, e não um marmanjo que não cresce.
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2019.10.15 11:43 B34r_w1th_m3 Eu queria ter sido piloto

Peço perdão pelo tamanho, não esperava que fosse ficar tão grande.
Eu queria ter sido piloto...
Dois anos e meio atrás eu estava meio à deriva no mundo. Estava no segundo ano ensino médio e não sabia exatamente o que fazer da vida. Não me sentia pertencente a nenhum lugar, não tinha exatamente planos pro meu futuro, meu relacionamento com meus pais ia de mal a pior e ainda por cima me metia em brigas.
Eu estava irritado com o mundo, mas eu não podia socar o mundo (embora com certeza eu tenha tentado, ficado com marcas nas minhas mão até hoje para me lembrar de não fazer mais isso). Queria desaparecer, me desintegrar. Me mostraram uma prova que teria para à Academia da Força Aérea e eu pensei "Vou me tornar piloto e voar pra longe de tudo e todos".
Me empenhei como nunca, estudei como um condenado para a prova que viria um Junho, porém houve um problema: eu me apaixonei. Me apaixonei pela aviação. Isso não estava nos meus planos, não era pra isso ter acontecido, mas aconteceu. Eu entrei em contato com esse mundo e me encantei. Ser piloto, ser militar, fazer algo que eu sentia que me deixaria completo. Eu agora queria virar piloto, piloto de resgate ainda.
Me apaixonei também por uma garota, algo que também não estava nos planos. Eu já havia amado antes, mas isso era algo diferente. Era algo que eu não consigo explicar exatamente até. Pra ser sincero eu não sei nem exatamente explicar como que essa mulher entrou na minha vida, só sei que um dia ela estava lá eu eu não queria que ela fosse embora. Melhorei por conta dela. Larguei a raiva, as brigas, as frustrações. Tentei realmente me tornar um homem melhor por mim, pelos outros e, especialmente, por ela.
Por muito tempo as coisas na minha vida estavam boas. Realmente boas. No dia de fazer a prova da AFA, passei pra segunda fase (algo que eu honestamente não imaginei que fosse realmente acontecer). Comecei a treinar para os testes físicos que eu teria de fazer para provar que eu estava apto para me tornar um militar. Apto para me tornar um piloto. Meu relacionamento com a garota ia ficando cada vez melhor. Eu não acreditava que existiam pessoas feitas uma para as outras, mas comecei a acreditar. Comecei a acreditar nisso, logo eu que sou a pessoa mais cética que conheço.
No dia de fazer os exames físicos, fui reprovado por ter queimado a linha de largada de uma das provas. Serei sincero com você, reddit, doeu ter sido barrado naquele ponto, especialmente por uma coisa tão boba quanto pisar numa linha, mas foi uma dor momentânea. Eu agora sabia o que eu queria da minha vida. Eu queria ser piloto, queria continuar esse relacionamento com essa mulher que sabe-se lá como eu tive a sorte de ter na minha vida.
Virou o ano e comecei novamente a me preparar para a prova que teria em junho. Estava confiante e determinado. Foram seis meses de preparo duro, mas que valiam a pena. Eu enxergava na FAB e na mulher meu futuro. Chegando em junho eu fiz a prova novamente. Saí da sala de prova confiante que havia conseguido passar pra segunda fase. Passado cerca de um mês saiu o resultado. Fui reprovado.
Eu não atingi a nota mínima em matemática para passar para a segunda fase. Quando fui corrigir minha prova com o gabarito oficial, havia contado que havia tirado mais do que o necessário para passar. Até hoje suspeito que cometi um erro na hora de passar o gabarito. Posso estar errado, porém. Talvez eu tenha ido pra prova confiante demais sabendo de menos.
Fiquei desesperado, já que minha mãe havia me dado somente aquele ano para passar numa faculdade. Eu não consigo por a opção "Aviação" num vestibular. Não sabia para o que prestar. Mas não havia problema, já que a mulher que eu amava ainda estava comigo. Decidi, depois de muito pesquisar e conversar com amigos e meu pai, prestar engenharia mecatrônica. Era uma área que eu me interessava, mas, honestamente, não me imaginava trabalhando com ela. Decidi fazer isso, mas eu ia tentar a prova da AFA uma terceira vez no ano seguinte.
Chegando o final do ano, época de vestibulares, a ansiedade dos alunos está no seu máximo. Muitos sentem a pressão desse sistema injusto. Uma competição brutal, se me perguntar. Eu, tentando focar no meus objetivos, não fui afetado muito por ela, mas minha namorada foi. MUITO afetada. Sua ansiedade despertou de uma forma esmagadora. Ela se viu no conflito entre prestar o vestibular para a área que ela amava e prestar para a área que achava que deveria fazer, já que arte não tem renda tão garantida assim. Ela não queria mais sair de casa, ver seus amigos e a mim, fazer antes as coisas que amava. Ela foi definhando. A mulher que eu amava estava se afundando num buraco que sua própria mente cavava. Me doía ver aquilo. Eu tentava ajudar, mas a melhor ajuda que eu consegui fazer era manter minha distância.
Não muito tempo depois que isso começou, ela admitiu pra mim que não me enxergava mais como uma pessoa que lhe causava prazer, mas sim como uma responsabilidade. Ela se forçava a falar comigo para não me magoar, mesmo que a ansiedade dela fizesse com que ela quisesse se isolar de todos os seres do mundo. Ouvir aquilo me feriu de uma forma que nada até hoje chegou perto de fazer igual. Já levei muitos socos, chutes, cortes e diversos outros tipos de ferimentos, mas aquilo fez algo comigo que me fez questionar minha própria existência.
Eu estava falhando em proteger a pessoa que eu mais devia proteger nesse mundo. Estava fracassando na minha única missão que realmente importava, que era fazer ela feliz. Eu era um fardo pra ela, uma responsabilidade que só aumentava os seus sintomas.
Sabendo de tudo isso, fiz a última coisa que eu pensei que teria de fazer: terminei com ela. Cada célula do meu corpo dizia para eu não fazer isso, que íamos conseguir passar por esse momento delicado. Mas eu sabia que não íamos. Eu era uma das fontes da tristeza dela. Ignorando cada parte de mim que protestava, terminei com ela para o próprio bem dela. Ela tinha que melhorar a qualquer custo, mesmo que esse custo fosse o nosso relacionamento.
As coisas só pioraram então. No início do ano seguinte, 2019, fui diagnosticado com uma espécie de diabetes. Isso significava que mesmo que eu passasse na prova escrita da AFA eu seria reprovado nos exames médicos. Meu sonho de ser piloto se foi. O futuro que eu havia sonhado por um ano e meio se foi. A mulher que eu amava e as minhas asas. Talvez eu tenha sonhado demais. Talvez eu tenha sido Icarus e voado perto demais do sol e me queimado. Talvez eu podia ter evitado tudo isso se eu tivesse sido menos arrogante na hora de fazer a prova e se eu tivesse sido menos um fardo para a minha namorada.
Eu estava novamente perdido. O que que eu deveria fazer? O prazo imposto estava prestes a acabar. Tentei me recompor ao máximo e traçar um novo plano. Deixaria meu choro somente para as noites no meu quarto, porque de dia eu precisava trabalhar, pensar num novo rumo.
Passei pelo ENEM pra uma faculdade boa em outro estado para engenharia mecatrônica. Eu estava agora ficando com uma outra garota, porém nada tão intenso naquele momento quanto era com a minha ex. As coisas estavam tomando um rumo que havia potencial. Mas não era meu sonho.
Meses se passaram e cá estou, distante do estado de onde eu vim. Estou namorando essa nova garota faz um tempo já e as coisas estão indo muitíssimo bem. Eu estou gostando de fazer essa faculdade. Morar sozinho tem sido uma experiência fantástica. Fiz novos amigos e estou vivendo uma vida nova. Ainda assim eu ás vezes queria poder mandar uma mensagem pra ela e dizer "você ia amar o céu estrelado daqui", ou "eles rasparam meu cabelo no trote da faculdade!". Queria poder olhar para um avião no céu e não soltar um suspiro triste, pensando como a vista lá de cima deve ser bela.
Estou escrevendo isso, reddit, porque hoje descobri que ela está namorando um outro cara. Isso me abalou de início. Me senti injustiçado. " Por que que ele podia ficar com ela e eu não?" eu fiquei me perguntando por horas enquanto eu chorava em minha cama. Quando todo esse momento passou, eu pude refletir um pouco melhor. Estou feliz por ela, de verdade, até porque eu fui o quem seguiu em frente primeiro. Porém, o mais importante, isso mostra que ela está bem de novo. Bem o suficiente para confiar de novo em alguém da forma que ela confiava em mim. Isso é tudo que eu quero, que ela esteja bem. Devo admitir, porém, que, assim como eu invejo o piloto do avião, eu invejo esse novo cara. Tanto o piloto quanto ele tem uma vista muito bela diante deles.
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2019.06.05 04:27 Dentito Meu estilo de vida me impede de crescer?

Boa noite pessoal tudo tranqs?
Tenho 21 anos e estou a caminho de me graduar numa faculdade federal em economia em período INTEGRAL (tarde/noite). Estudo, mas não sou aquele super aluno esforçado que deu monitorias, pesquisas e outras atividades, pois não são o meu foco. Fico com minhas notas entre 7-9, nas matérias mais difíceis entre 6-7, mas nunca reprovei nenhuma disciplina e sempre consegui levar as matérias (ainda que "surtando" de estar sobrecarregado), estar levando a faculdade a sério (na medida do possível) é uma questão de respeito com meu pai, pois ele acredita nas minhas capacidades além de estar custeando minha estadia e alimentação.
Eu saio sim, de vez em quando assisto um cineminha, vou num bar, saio com minha namorada, mas não faço nenhum hobby em particular, talvez 4 vezes no semestre vou na Lan House jogar um Cs/Apex, quando fico livre, geralmente as duas primeiras ou últimas semanas do semestre.
Acho que aí já posso pontuar um problema, eu gosto muito de jogar, muito mesmo, mas não chego a dizer que sou viciado, pois passo tranquilamente 3 meses sem jogar qualquer coisa. Então nas férias quando volto pra São Paulo, compenso tudo e começo a jogar pra cacete, não chego a varar a noite, tipo indo dormir às 5 da manhã, mas tomo meu café, olho as notícias do dia, começo minha jogatina às 13:00-17:00 descanso e faço um café da tarde, daí vou das 20:00-01:00 jogando. Alguns dias da semana nas férias eu saio com amigos ou primos, não tenho esse enorme comprometimento com jogos pelo horário. Mas eu realmente gosto demais de passar horas jogando e nenhuma atividade me satisfaz tanto quanto jogar...talvez pilotar Kart, mas só fiz isso uma vez na vida e é um esporte bem caro então nunca me incentivaram.
O ponto é que eu acho que poderia ter despendido melhor meu tempo das férias, estudando algo pro mercado de trabalho, pois a minha facul é focada no ambiente acadêmico. Poderia ter estudado um Excel mais avançado, um VBA, programação utilizada na minha área, avançar meu inglês por leitura científica (eu só vejo vídeos do YT em inglês e leio o Reddit) ou até mesmo aprender outra língua. Mas eu me recusava a usar meu tempo de férias para me ocupar com algo entediante, e só queria mesmo me entreter como sempre fiz em toda minha vida. Eu tentei estudar Excel nas férias, me dava um sono enorme e eu acabava desistindo... Eu tenho muita dificuldade em me concentrar, e na faculdade apesar do meu bom rendimento, eu sofro para ler artigos de 20 páginas (levo umas 3-4 hrs pra ler tudo).
Minha vida social vai bem, meus amigos são bacanas, minha namorada é maravilhosa, e meus pais fazem o que for possível.
O que eu sinto é que ultimamente eu tenho tomado uns choques de realidade. Fui pesquisar Trainee em bancos (Citibank/Safra/Itaú) e me interessou os benefícios... Porém o processo seletivo é rigoroso... Teste de lógica, Teste de inglês, Apresentação de projeto, entrevista. Confesso que me senti muito intimidado, me deu um desânimo pensando que nunca vou conseguir entrar em algo tão concorrido. Sim eu sei, a remuneração de 6,8k é 5% do Brasil que ganha, mas o trainee é direcionado pra galera de até uns 25 anos. Não sei se em 4 anos eu consigo atingir isso.
Sou inseguro com a minha vida adulta e a todo tempo sinto que preciso da aprovação do meu pai pra dar o passo inicial em algo. Se ele não aprova, eu com muito ceticismo e incerteza, raríssimas vezes tento.
Eu tenho muita vontade de sair do Brasil, trabalhar e morar uns anos no Canadá ou Europa. Mas não sou de TI, e não imagino outra forma de ir ao exterior pela minha área.
Parece que eu preciso levar um tombo pra me dar o desespero de correr atrás das coisas... E uma vez meu pai até mesmo falou de mim pra alguém:
"O universo pode estar desmoronando que ele vai estar quieto."
Se leu até aqui e só acha que é um "problemas de gente branca", não vou discordar de você e agradeço a sua atenção.
TL;DR O mundo adulto está batendo na porta, mas parece que eu não quero abrir. Essa é a sensação.
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2019.04.17 20:17 lucas_santoli É dificil não ter o apoio de quem se ama

Só pra dar uma contextualizada, eu fui criado num lar fundamentalista evangélico, então basicamente meus primeiros 18 anos foram, pra mim, uma lavagem cerebral de como meus pais queriam que eu fosse quando eu virasse adulto.
Eu sempre fui bem mais liberal que meus pais, e me incomodava demais a implicância deles sobre o meu modo de agir. Eu não podia sentar de pernas cruzadas ou com os joelhos próximos um do outro por que era ""coisa de mulher"", ou não podia ouvir as músicas que eu gostava porque, segundo eles, são pecaminosas pelo simples fato de não serem músicas gospels. Entre várias outras implicâncias sem nenhum sentindo.
Acontece que quando eu completei 18 anos eu não aguentava mais viver uma vida que não era minha. Eu iniciei meu tratamento psicoterapêutico pra tentar curar uma depressão e ansiedade que eu não faço ideia de onde vieram (ironia), na faculdade eu conheci novos amigos, novas oportunidades, e, segundo meus pais, todas essas coisas me afastaram ainda mais do deus deles.
Desde então eu sinto um enorme bloqueio da parte deles (principalmente de minha mãe, que é dona de casa então passa mais tempo comigo) em relação a qualquer coisa que eu faça pra tentar ser um pouco mais de mim mesmo. Minha mãe descredibiliza totalmente meus problemas psicológicos e trata tudo como "preguiça", e eu me sinto mal por não conseguir ter forças pra ajudar ela nas tarefas de casa ou pra ser um filho que interage, que sorri... Meu pai acha que basta eu querer que eu consigo, eu explico: meu esgotamento mental me obrigou a reduzir minha carga horária na faculdade e mesmo assim, não consegui ser aprovado em todas as matérias, o problema é que meu pai acredita que se eu me esforçasse eu conseguiria passar, então é como se a reprovação tivesse sido só culpa minha, e não de todo o tormento mental que me faz ficar dias e dias sem vontade nenhuma de estudaviver. E isso é só a ponta do iceberg.
Embora eu saiba que eles provavelmente nunca serão capazes de entender o meu sofrimento, (principalmente por terem nascido num contexto que negligenciava demais os problemas mentais) eu não consigo evitar ficar mal por isso. Afinal de contas, são meus pais, deveriam ser as pessoas nas quais eu pudesse buscar ajuda e consolo. Atualmente eu me vejo sem ninguém suficientemente sensato para me amparar. Não quero despejar todo o negativismo em cima da minha namorada até porque ela tem os problemas dela que são bem piores que os meus; minha psicóloga eu só vejo uma vez por semana. Eu estou completamente perdido num mar de niilismo e eloquência.
Eu espero que isso tudo seja uma fase de transição onde eu esteja saindo de uma vida moldada por uma religião, pra uma vida que eu tenha mais autonomia. E eu espero não ter me matado até lá, porque eu realmente não estou aguentando.
Resolvi postar isso hoje pois estou deitado scrollando pelo Reddit enquanto espero melhorar da minha crise de labirintite (tenho VPPB, google pesquisar), e isso se deve porque hoje mais cedo eu tive uma discussão mais cedo com minha mãe, que me acusou de preguiçoso e egoísta por não ter arrumado a cama. saudades paz
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2018.07.13 00:27 Guilherme_marquess Literatura - Contos

Boa noite comunidade do reddit Brasil, já faz algum tempo que venho pensando em publicar um livro de contos, a minha ideia é produzir uma série de contos que envolvam temas que estão em pauta na sociedade atual e assuntos que são pouco abordados, temas como estupro, assassinato, machismo, racismo, incesto, suicídio, temas que acontecem no cotidiano, aparecem nos dados, mas as pessoas em sua maioria mesmo conhecendo algum caso, deixam de lado. Ainda preciso evoluir muito na questão da escrita, mas trago para vocês uma pequena amostra do que tenho escrito. Quem possuir alguma dica construtiva, indicação de alguma forma de conhecimento que possa ajudar-me, ficarei grato.
Nunca teve muitos desejos desde de pequeno e adolescente, conformava-se com qualquer situação onde se encontrava. Não sentiu interesse em entrar em uma faculdade, também não em conseguir um trabalho que lhe pagassem bem, afinal nunca foi de gastar muito com qualquer coisa. Trabalhava em uma empresa de ônibus local, conseguiu o emprego depois de concluir seu ensino médio, permaneceu anos na mesma linha e no mesmo horário, nunca cogitando trocar de emprego e se quer alterar a linha que fazia, gostava daquele, era perto de sua casa e tinha uma carga horária menor que as demais linhas.
Todos os dias passava pelos mesmos locais, conhecendo cada pessoa que entrava nas paradas durante o percurso, sentia falta quando alguém não entrava, conseguiu até fazer umas amizades que puxavam assunto de vez enquanto. Conhecia cada local, cada casa, cada loja, conhecia tudo o que existia e que havia sido construído depois que começou a trabalhar naquela linha. Era uma pessoa extremamente pontual, sempre acordava, arrumava-se, andava alguns metros até chegar na garagem dos ônibus, cumprimentava todos os funcionários do local, fazia sua oração e saia exatamente 7:30, não saia um minuto antes e se quer um minuto depois, sempre pontual e chegando nas paradas no horário previsto, quando possuía afinidade com algum passageiro e sabia que ele estava chegando, encontrava um modo de atrasar um ônibus e rever a pessoa entrando em seu ônibus, era um dos seus pequenos motivos de felicidade.
Trabalhava anos naquela profissão, uma das únicas mudanças durante 50 anos de trabalha foi troca de cobrador, pois ele que conseguiu passar em um concurso público para trabalhar na capital e uma mudança de ônibus porque com o péssimo estado de algumas partes da cidade, ônibus acabou sendo afetado. Durante os anos de profissão, ocorreu algumas greves por um salário melhor, greves para melhorar as pistas e segurança para os motoristas que frequentemente passavam por péssimas experiências por causa de pessoas que entravam mostrando ser passageiros e depois disso, anunciavam um assalto e levava os pertences dos passageiros e dinheiro guardado no caixa, mesmo com todos esses acontecimentos, não concordava com as manifestações, afinal, nunca tinha acontecido com ele, sendo assim, algo que não lhe afetava, assim como o valor do salário e a qualidade das estradas, estava perfeitamente satisfeito com as péssimas condições e gostava de ficar observando o que acontecia durante o percurso e olhar a expressão dos passageiros pelo retrovisor que de vez enquanto, sorriam para ele.
Sua família era muito simples, filho único, seu pai era policial e ganhava um salário suficiente para manter as coisas em casa e sua mãe por ter sofrido um acidente, tinha sido invalidada e passado o resto de sua vida em casa. Perdeu ambos muito cedo, seu pai acabou sendo baleado enquanto estava sem serviço e sua mãe por uma péssima alimentação e poucos exercícios, desenvolvido uma doença nos músculos e falecendo alguns meses depois. Ele nunca foi muito próximo de ambos e ficou mal por algumas semanas mas depois disso, tornando-se e continuando em sua profissão focado como desde o começo. Algumas vezes chegou a conversar com algumas moças, mas nunca tendo amado de verdade, muito menos se apaixonado, não sentia interesse em qualquer forma de relação e algo do gênero nunca fez falta, acabou passando a vida só e mesmo assim, sem esposa, namorada, sem amigos, apenas mantinha contato com seus colegas de trabalho mas nenhum dessas interações, jamais saindo do âmbito de seu trabalho, era apenas por necessidade.
Naquela mesma cidade, morava um garoto que sempre mostrou ser uma pessoa bastante curiosa, perguntava para seus pais sobre o que causava cada coisa, sobre o mundo, sobre o universo, sobre as pessoas, sempre lia livros de fantasias e cada vez mais interessava-se por cada coisa aparecia para seus olhos. Estudava em uma escola pública da região mas frequentemente faltava por causa da falta de professores, mas sempre que conseguia, fazia de tudo para conseguir chegar em sua aula. O ônibus que pegava era o mesmo da linha do motorista, sempre fica observando aquele senhor, por vezes escutou os passageiros comentarem que ele era sozinho, também que a sua rotina se baseava no trabalho e sua casa. Sempre se perguntava se ele era feliz daquele modo, porque a vida dele era assim e se algo tinha levado ele a viver daquele modo, era realmente um mistério para ele e todos os dias se pegava pensando nisso. Muitas pessoas parecem possuir um passado interessante e também uma vida mas quando conhecemos sua verdadeira face, não existe muitas coisas que realmente podem nos impressionar como esperávamos. Era esse o caso mas a imaginação do jovem lhe proporcionava imaginar milhares de coisas sobre o senhor que mal conhecia e todos falavam mal.
Um dia o garoto ficou até tarde acordado escrevendo um trabalho, precisava da nota para passar na matéria e então mesmo lutando contra o sono, permaneceu acordado. Seus pais lhe acordaram e mesmo com sono, fez suas atividades matinais, tomou seu banho e despediu-se dos pais, logo depois caminhou até a parada próxima e esperou o ônibus. O ônibus estava com poucas pessoas, algo que raramente acontecia mesmo sendo uma cidade com poucas pessoas, então pensou que poderia tirar um cochilo antes que o ônibus chegasse em sua parada. Encostou próximo ao vidro colocando o seu casaco como uma espécie de travesseiro e fechou os olhos, depois de alguns minutos caindo no sono e por estar cansado, passando direto da sua parada, acordando apenas no terminal. Ficou extremamente preocupado por não conhecer aquele local da cidade e também por perder os pontos que precisava para passar no bimestre. O motorista que sempre pensava sobre a vida, estava no ônibus, então saiu pela porta de trás e entrou novamente no ônibus, sentando-se nos bancos atrás do banco do motorista e aproveitando a falta de movimento e a oportunidade de matar parte de sua curiosidade, olhou para o senhor e então disse:
- É verdade o que dizem sobre o senhor? - O que dizem sobre mim? - Que o senhor não tem família, que tem muitos anos que sua vida é apenas dirigir esse ônibus e descansar até o outro dia em sua casa.
O senhor ficou sem expressão por alguns segundos, olhou nos retrovisores e então calmamente respondeu o garoto:
- Desconheço porque dizem essas coisas sobre mim, não importa o que faço fora daqui e também, o que faço da vida, mesmo assim, é verdade, perdi meus pais muito cedo e trabalho nessa profissão tem um bom tempo, mas isso não é algo que você ou alguma outra pessoa precise se preocupar.
O garoto achou grossa a resposta do senhor que sempre era tão calmo, esperava que ele respondesse que era uma mentira, possuía expectativas que fosse apenas um boato de pessoas que não conseguem conversar sobre algo mais interessante. Mesmo assim, não estava decepcionado com a cruel verdade sobre o senhor que idealizou uma vida fantástica, não desistiu de continuar com suas perguntas, na verdade, ficou empolgado e perguntou:
- Mas por qual motivo sua vida é assim? Digo, porque nunca pensou em fazer outra coisa? Porque continua fazendo as mesmas coisas? Isso não lhe torna infeliz?
- Pelo contrário, eu gosto de todas as coisas que faço, tudo isso que vivo, foram minhas escolhas, continuo bem fazendo isso, nunca parei para pensar em fazer outra coisa. Sou bem feliz com a minha vida, espero que consiga ser feliz do mesmo jeito que eu sendo sincero, ainda possui muito para viver, é jovem, cheio de pensamentos, cheio de vontades, espero que faça bom uso disso tudo. Tenho que continuar prestando atenção no trânsito, não seria bom caso eu batesse em algum carro por descuido.
O garoto ficou frustrado, não era o que esperava, não conseguiu encontrar nada demais, sem grandes feitos, sem grande aventuras, não era o que ele imaginava. Então, apenas dirigiu-se para os bancos traseiros, sentou-se e ficou lá até sua parada. Apenas uma das primeiras decepções que alçamos esperar demais de coisas que não possuem muito para nos apresentar, mesmo assim, valendo a pena conhecer .
Depois de passar boa parte do tempo pensando nos questionamentos do jovem, o senhor terminou a sua linha e caminhou até sua casa. Trocou de roupa e esquentou a comida que tinha guardado do dia anterior, sentou-se no sofá e ligou sua pequena televisão. Depois de jantar, parou para pensar sobre o seu dia, mesmo com poucas coisas interessantes, sempre cultivava esse hábito. Pensando sobre porque as pessoas falavam mal dele mesmo ele sempre esforçando-se para agradar as pessoas. Não compreendiam porque esperavam mais coisas sobre a vida dele, também as críticas por trás do seu estilo de vida. Ficou minutos pensando nisso até que caiu no sono, depois disso, nunca mais pensou nessa questão. Continuou mantendo sua rotina, seu estilo de vida, por mais alguns anos seguidos sem mudar absolutamente nada além dos pratos preferidos por ter desenvolvido diabetes por sempre mascar balas enquanto dirigia.
Anos mais tarde, teve sua aposentadoria forçada por causa de políticas dentro da empresa referente ao tempo de permanência no emprego. Mesmo contra sua vontade, teve que abandonar seu emprego e deixar tudo aquilo que ocupava todo o seu cotidiano. Com uma expressão triste, pegou algumas coisas que guardava em seu armário, seu escapulário que estava no retrovisor do ônibus e seus ex-colegas de trabalhos. Voltou para sua casa, sentou-se e pensou sobre o que poderia fazer agora que encontrava-se sem emprego e o que poderia fazer com o salário da aposentadoria e as econômicas que conseguiu durante todos os anos trabalhando como motorista. Como já estava tarde, decidiu dormir e pensar sobre o que faria de sua vida, deitou-se e em um sono tranquilo, adormeceu sem muita preocupação, o que viria depois ainda não estava claro para o velho senhor toda a complicação.
Depois que acordou involuntariamente continuou sua rotina, até perceber que depois dos hábitos que cultivava em sua casa nada mais teria para fazer. Quando a nova realidade apareceu mais clara em sua mente, mais fresca e todo o vazio que restava depois disso, lhe abalou como um terremoto abala um prédio e tudo o que resta é esperança de que continue em pé mesmo com todos os danos que deixam marcam em sua estrutura. Se manteve parado em frente a sua porta, pensando para onde iria, o que faria, se perguntando o que poderia fazer em sua casa, mas não chegava em nada demais, nunca se preocupou com alguma espécie de entretenimento, nunca ficou muito tempo além da noite descansando dentro da sua casa. Dentro de todo aquele vazio sem pessoas, sem cor, encarava a porta, pensando em tudo o que poderia existir lá fora, mas uma dúvida enorme apresentava-se para ele, mesmo tendo andando por anos naquela cidade, conhecia apenas os locais por onde sua linha passava, conhecia apenas as pessoas que entravam em seus ônibus e os seus colegas de trabalho. Percebeu que aqueles pequenos locais, era o seu mundo, que as pessoas, não passavam de um mero cenário, passou anos dentro de uma realidade que se quer conhecia, toda a perspectiva de conhecer, uma ilusão. Todo o entretenimento que poderia ter, perdeu-se com o tempo em seu próprio mundo sem se quer ele perceber, sem conhecer nada, mesmo vivendo anos, sem ter feito nada mesmo com muitas coisas para fazer e com tanto dinheiro acumulado que não foram gastos com absolutamente nada. Andou pelos cômodos de sua casa, não tinha nada que tinha produzido, não tinha nada que comprou e muito menos que recebeu de presente de alguém, nenhum feito, nenhuma memória feliz, nada que ele poderia observar e reconhecer como algo que fez sua vida valer a pena.
Saiu da sua casa e andou pela rua, não reconhecia o que as pessoas estavam dizendo, não reconhecia o que as pessoas estavam vestindo, com tantos anos estando na direção de um ônibus, não sabia onde cada uma das outras linhas levavam e pensava se os motoristas tinham uma vida como a sua, se as pessoas sentadas no banco do passageiro, pensavam o mesmo que o jovem anos atrás que atualmente deveria estar adulto comentou sobre o que falavam sobre ele e ele tão preso em sua rotina não foi capaz de perceber. Sentia-se uma pessoa de outro mundo, outra realidade, sentia-se distante de todo aquele mundo onde permaneceu anos inserido que agora, depois de tudo, parecia algo totalmente novo. Pensava sobre o que poderia ter feito, como tudo poderia ter sido diferente, se agora estaria mais feliz, se agora poderia sentar-se em uma mesa e contar para a juventude tudo o que aprendeu, tudo o que viveu, tudo o que absorveu do mundo. Agora não tinha a mesma saúde, não tinha o mesmo tempo, sua conta dinheiro para viajar para qualquer lugar, comprar o que quisesse, visitar algum local que gostasse, mas não conhecia nada, se quer tinha escutado falar, também, não poderia convidar alguém para uma conversa, não conhecia ninguém, não poderia compartilhar algo que sentia, não tinha vivido nada que lhe despertasse amor, felicidade, prazer, muito menos uma pessoa que pudesse escutar tudo o que depois de ter percebido o enorme vazio que tinha criado, era como aquelas pessoas e locais que apareciam durante o seu percurso, encontravam-se lá, mas eram desconhecidas, não conhecia sentimentos, memorias, olhares, gestos, o que amavam, suas comidas e músicas favoritas, seus momentos felizes, seus pensamentos, sua história, estavam lá, mas ao mesmo tempo, não eram nada, depois de sumirem da visão, nada restaria daquelas pessoas, assim como depois que partisse, não teria feito, nada teria criado, nada teria conhecido, se encontraria no mesmo estado dos primeiros anos da sua vida de imaturidade, indecisões, inocência, anos de vida e nada vivendo. O senhor apenas pensava se poderia ainda viver o que não viveu, fazer algo que compensasse todo o tempo que perdeu, se ainda restaria algo para sentir, viver, conhecer, se o mundo que todos os dias se apresentava poderia lhe fazer sentir tudo o que não tinha sentido.
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2018.01.03 15:22 cebastiao Estou decepcionado com as pessoas

Desde de muito tempo eu recebo críticas sobre meus gostos e modo de vida. Eu tenho um emprego que me proporciona uma vida em um apartamento de frente à praia na cidade onde vivo, porém eu moro em uma casa num suburbio, não possuo carro nem moto, ando de bike e meus móveis em casa são quase todos montados por mim e meu pai. Tenho 25 anos e vivo basicamente com pouco menos de 30% de todo meu salário e tenho uma vida extremamente simples. Pago por uma internet compartilhada do vizinho, planto boa parte das verduras que consumo, não tenho TV, e só utilizo o computador para trabalhos e alguns poucos minutos de lazer (meu lazer online é o reddit). Não tenho nenhuma rede social e poucas informações online devido um concurso que fiz (meu atual emprego).
Esse estilo de vida não foi opicional. Não foi algo que eu decidi que iria ser assim, foi herança dos meus pais que decidiram em algum momento da vida dele que gostaria de ser mais hands-on e menos consumistas. Eu vivo com isso no automático, e nunca tinha percebido que isso era diferente até eu perceber que no meu trabalho, faculdade e na mesa do bar eu era o diferente. Eu era o zuado, o criticado, o mesquinho, mão de vaca, quando na verdade eu apenas não conseguia entender a necessidades das coisas como as outras pessoas entendiam normalmente. As pessoas pensam que isso é mesquinhagem minha, não sair toda sexta com o pessoal do trampo, não querer pagar pela festa de formatura (um anel de fukings 2 mil reais), de não dar presentes no fim do ano, não participar de amigo qualquer coisa. Embora eu tenha uma boa relação com as pessoas, possuo amigos e sou extremamente social, ainda sim sou discriminado e julgado pelo modo de vida que fui educado e não é simples deixar de ser assim. Eu gostaria de ser mais aberto as coisas de um modo em geral. Sair direto, comprar coisas, morar bem, ter um carro, mas eu ando travando ao buscar essas coisas, minha conciência pesa por saber que não preciso, pensei em comprar um TV pois minha namorada reclama as vezes que é ruim assistir coisas no monitor de 17 que fica no notebook (mas é raro ficarmos em casa, então ficaria ali parado desligado na mior parte do tempo), pensei em comprar um carro pra ficar mais fácil me locomover pois as vezes demoro pra chegar em alguns encontros com amigos e fico dependendo de alguém me dar carona ou ter que pegar um uber (mas olha o preço da gasolina, preço por ano pra se ter um carro, mesmo parado estou tendo custo). Em fim, eu tenho um pouco de medo de dar um passo adiante nisso e me sentir infeliz. Eu sou bastante feliz na maior parte do tempo pois poucas coisas me abalam. Como não tenho TV e nem costume de ler jonais, não fico sabendo muito das merdas loucas que acontecem todo os dias, logo isso não me afeta, não passo mal com frequência, pois minha alimentação é muito leve e a maior parte dela vem do meu quintal, logo sei o que consumo. Em fim, eu tive muitas namoradas e nenhuma delas aguentou meu jeito de viver, apenas essa última que está comigo há uns 03 anos que parece ter se adaptado e ao que parece é o que quer pra vida dela também. Bom, eu gasto meu dinheiro basicamente com viajens. Conheço meu estado todo de canto a canto, conhelo o sudeste do brasil praticamente todo e estou planejanto em 2019 "casar" e mochilar por um ano pelo mundo (se eu conseguir a exoneração no serviço) e a grana fica numa corretora que minha irmã trabalha, tenho alguns investimentos que servirão pra me manter enquanto estiver mochilando. E é isso, estou decepcionado com as pessoas por que muitas delas apontam o dedo pra mim e me chamam de mão de vaca, mesquinho, judeu, pão duro, miserável e etc como se eu fosse obrigado a ter uma vida direcionada à coisas materiais só por que tenho um salário relativamente alto. Em fim, era isso, precisava desabafar.

Edit: 1) Agradeço a todos pelas palavras, conselhos e dicas, de verdade pessoal, muito obrigado, vocês são ótimos protótipos de psicanalistas haha. 2) Que vocês e a língua portuguesa me perdoem, eu digitei tudo pelo celular e não coloquei parágrafo e cometi muitos erros de ortografia, meu celular é pequeno, aperto duas teclas com o dedão, as vezes fico sem paciência pra digitar certinho. 3) As vezes quando o mundo não se adapta a nós, precisamos (por conveniência) nos adaptarmos a ele, nem que seja um pouquinho. E tenho tentado fazer isso sem deixar meus princípios de lado, então o que estou tentando é encontrar um equilíbrio entre essas coisas. 4) Agradeço meus pais por eu ter me tornado uma pessoa de gosto simples. Meu pai sempre me dizia que se você reparar bem, mas pessoas bem sucedidas (veja que eu disse bem sucedidas, não ricas) tem, em sua grande maioria, gostos simples. Eu tive uma educação regada a livros e hábitos simples, só ganhava presentes quando era algo que eu precisava, se eu fizesse aniversário e tivesse roupas boas aindas, era apenas um passeio na praia e pronto. Então essas coisas são normais pra mim, e de pouco tempo pra cá que percebo que isso pode não ser normal pra outras pessoas, por isso preciso me adaptar ao meio para não ser julgado.
Obrigado a todos, abraço pra vocês. Vocês são incríveis, sério!
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2017.11.29 20:20 tombombadil_uk Today I fucked up: a estranha sensação de reencontrar um amor do passado 12 anos depois / Parte 3

Galera, finalmente postando a última parte da saga. Depois de pensar para caralho, resolvi falar com ela pelo Facebook e marcamos de nos encontrar num café pertinho da praça onde nos esbarramos. Para quem não conhece a história desde o começo:
Parte 1 - TL/DR: sou casado, reencontrei uma garota por quem eu era apaixonado há 12 anos e só nesse reencontro eu percebi como eu fui um imbecil com ela. Em resumo, nós éramos grandes amigos, eu fiquei com medo de me declarar, meti o pé do curso de inglês que fazíamos sem dar nenhuma explicação e desapareci completamente da vida dela.
Parte 2 - TL/DR: comecei a me perguntar se aquela garota que eu reencontrei realmente era ela, já que ela parecia tão mais velha. Depois de dezenas de tentativas, achei ela no Facebook e sim, realmente era ela. Descobri que um amigo meu já tinha saído com uma prima dela há muito tempo e soube que ela teve uma vida bem escrota, foi abandonada por um marido meio babaca e agora basicamente vivia só pelo filho na casa dos pais.
Parte 3 - Taí. Nos reencontramos. Foi uma experiência que eu não sei classificar. Foi feliz, foi triste. Foi amargo, foi doce. Foi impressionante. A gente chorou um pouco junto. Escrevi um pouco ontem à noite e terminei hoje de manhã.
Só queria agradecer a todos os conselhos e dicas que recebi aqui. Reencontrar alguém do passado é uma coisa que mexe muito com a gente, faz com que nosso coração se sinta naquela época novamente. Essas quase três semanas foram muito estranhas. Foi quase uma viagem no tempo por coisas que eu achava já ter esquecido completamente. Infelizmente não posso dividir muito disso com amigos próximos, então fica aqui o desabafo.
Esse último ficou mais longo do que eu esperava. Honestamente, a gente conversou tanto que acho que resumi até demais. Como da primeira vez, fiz em formato de conto. Novamente, obrigado a todo mundo que deu um help nessa história, que finalmente se fechou.
Era um café bonito. Novo da região, era um daqueles negócios em que você vê o coração de um sonho do dono. As mesas rústicas de madeira, as lâmpadas suspensas que desciam do teto em fios de prata, como teias de aranha tecidas por vagalumes. O quadro negro cuidadosamente preenchido com os preços e até desenhos estilizados de alguns pratos. No fundo, um jazz instrumental marcava presença de forma tênue. Também era um daqueles negócios que você sabe que não vai durar muito. Que você bate o olho e pensa: “com essa crise, é melhor eu dar um pulo lá antes que feche”.
Eu presto atenção a cada detalhe ao meu redor. À roupa preta das atendentes, ao supermercado do outro lado da rua que vejo pela vitrine. Aos clientes que entram e saem de uma loja das Casas Pedro. Eu não quero esquecer de absolutamente nada. Era um ritual meu que fiz pela primeira vez aos 14 anos. Sempre tive boa memória, mas naquela época eu me esforcei para colocá-la inteiramente em ação. Era um verão e eu estava prestes a reencontrar uma prima que, anos atrás, fora minha primeira paixão. Ela nos visitava de anos em anos e, três anos após trocarmos beijos juvenis debaixo do cobertor, ela havia acabado de chegar à casa dos meus avós, onde se hospedaria.
Naquela noite, eu não consegui dormir. Por volta das 4h da manhã, peguei meu cachorro e caminhei 15 minutos em meio à madrugada até a casa da minha avó. Não, não fui fazer nenhuma surpresa matinal ou pular a janela em segredo. Eu apenas fiquei do outro lado da rua e observei tudo ao meu redor. “Eu vou lembrar desse reencontro para o resto da minha vida”, pensei, do alto dos meus 14 anos. “Eu quero lembrar de cada detalhe”.
E até hoje eu lembro. Da rua cujo chão estava sendo asfaltado, mas onde metade da pista ainda exibia os bons e velhos paralelepípedos. Das plantas da minha avó balançando ao vento, o som singelo dos sinos que ela mantinha na varanda e davam àquilo tudo um clima quase de sonho. Do meu cachorro, fiel companheiro que viria a morrer dois anos depois, sentado ao meu lado com metade da língua para fora. Do frescor da madrugada que precedia o calor inclemente das manhãs do verão carioca.
Mas não é dessa memória - e nem dessa paixão - que eu falo no momento. Eu falo dela. Dela, que eu reencontrei depois de tanto tempo. Que eu julgava já ter esquecido. Que, apenas mais de dez anos depois, eu percebi que tinha sido um babaca ao desaparecer sem qualquer despedida. Mesmo que ela jamais tivesse segundas intenções comigo, mesmo que fosse apenas uma boa amiga, eu havia errado. E aquela era o dia de colocar aquilo, e talvez mais, a limpo.
Foram três semanas de tortura comigo mesmo. Desde que achara seu perfil no Facebook e ouvira de um amigo em comum notícias de uma vida triste, seu rosto não me saía da cabeça. Ao menos uma vez por dia, eu pagava uma visita ao seu perfil e mirava aqueles olhos. As fotos, quase todas ao lado da mãe e do filho pequeno, tinham um sorriso fugaz encimado por olhos dúbios, tristes. Eles lembravam-me de mim mesmo. “Você tem um olhar de filhote de cachorro triste, por isso consegue tudo que quer”. “Você parece feliz, mas sempre que para de falar por um tempo, parece ter uns olhos tão tristes”. “Essa cara de pobre-coitado-menino-sofredor é foda de resistir, dá vontade de levar para casa e dar um banho”. Eu já havia perdido a conta de quantas vezes ouvira aquilo das minhas ex-namoradas e ficantes da faculdade. Os dela não eram muito diferentes. Quando ela finalmente apareceu, com sete minutos de atraso, eu pude perceber.
Meu coração parou por uma fração de segundo e depois disparou, como se os sineiros de todas as catedrais que haviam dentro de mim tivessem enlouquecido. Era engraçado como algumas pessoas passavam vidas inteiras sem mudar o jeito de se vestir. Ela ainda parecia com aqueles sábados em que nós nos encontrávamos no curso de inglês: os tênis All-Star, a calça jeans clara, uma camiseta simples - de alcinha, branca e com corações negros estampados - e o cabelo com rigorosamente o mesmo corte. “Talvez por isso que foi tão fácil reconhecê-la, mesmo depois de todo esse tempo”, pensei. Ou talvez eu reconhecesse aquele rosto e aqueles olhos - antes tão vivos e alegres - em qualquer lugar. Eu jamais saberia.
Como qualquer par de amigos que não se vê há milênios, falamos de amenidades no começo. Casei, separei. Sou funcionária pública, ela dizia. O relato do meu amigo, eu descobria agora, não estava perfeitamente certo. Ela não havia se demitido do trabalho, apenas se licenciado por algum tempo. “Fui diagnosticada com depressão”, ela admite, sem muitas delongas ou o constrangimento que tanta gente tem sobre o tema. “Meu casamento estava indo muito mal e eu desabei. Mas agora tá tudo bem”. Não estava, não era necessário ser um especialista para notar aquela tristeza escondida no canto do olhar.
Falei da minha vida para ela também. Contei que a minha ex-namorada que ela conheceu não deu certo e que, naquela época de fim da adolescência e início da vida adulta, eu tinha muita vergonha de falar sobre o que eu passava. Ela praticava gaslighting comigo, tinha crises de ciúme incontroláveis, me fazia sentir um crápula por coisas que eu sequer havia feito. “Você parecia tão feliz com ela”. “Eu finjo bem”, admiti. “E eu tinha vergonha de mostrar para os outros o que passava. Homem dizendo que a mulher é abusiva? Eu não queria que ninguém soubesse”.
Após quase meia hora de amenidades, eu exponho o elefante na sala de estar. Na verdade, quem começa é ela. Quando a adicionei no Facebook, falei que tinha esbarrado com ela na rua e que ficara com vergonha de cumprimentá-la na hora. Mas que queria muito revê-la depois de tanto tempo, tomar um café, falar sobre a vida. “Por que você sumiu?”, ela pergunta, no meio de um daqueles silêncios que duram mais do que deveriam. Eu tremi por dentro, mas não havia como continuar escondendo.
No começo, falei o básico. Que era de família humilde, como ela bem lembrava, e que o parente que pagava meu curso havia descoberto um câncer. Poucos meses depois, eu perdi meu emprego. Tudo isso num intervalo curto, de três ou quatro meses e perto da virada do ano. “Me ligaram do curso e ofereceram um desconto. Eu era pobre, mas sempre fui orgulhoso. Naquela época, era mais ainda. Burrice minha. Se bobear, eles iam acabar me oferecendo uma bolsa”. “Eles iam”, ela responde. “O Francisco - dono do curso - era maluco por você. Você era um ótimo aluno”. Ela dá um gole no mate que pediu. Meu café esfria ao meu lado. “Mas por quê você não falou nada comigo?”, ela continua.
Eu sabia que estava num daqueles momentos em que poderia mudar radicalmente o dia. Porque eu poderia ter mentido. “Eu não falei porque fiquei com vergonha de ter perdido o emprego”. “Eu não falei porque eu estava muito triste: parente próximo com câncer, desempregado, meu relacionamento com uma pessoa abusiva”. Eram mentiras com um pouco de verdade, mas não revelavam o grande problema. Naquele fim de tarde, eu escolhi não mentir. Nem me esconder. E eu já tinha ensaiado essas palavras dezenas de vezes nas últimas semanas.
“Olha, eu não sei se dava para reparar na época ou não. Não sei era muito óbvio, sinceramente. Mas eu era completamente apaixonado por você naquele tempo. Eu passava a semana inteira pensando no dia em que a gente ia se encontrar, trocar uma ideia no curso, caminhar junto até a sua casa. E eu tinha uma vergonha absurda disso. Eu tinha namorada, você tinha namorado e estava para se casar. Então eu achava errado expor aquilo, ser claro. E eu achava que você não gostava de mim. Eu tinha auto-estima muito baixa e esse relacionamento com essa ex-namorada abusiva só piorou as coisas. Eu me sentia um lixo, então achava que você não ia ligar se eu sumisse. Que ninguém ia ligar se eu sumisse. E foi o que eu fiz. Mas, se você quer uma versão curta da resposta, é essa: eu era completamente apaixonado por você naquela época e quis sumir, sair correndo”.
Enquanto eu falava aquilo tudo, a boca dela se abriu em alguns momentos. Às vezes parecia surpresa, às vezes parecia que ela tentaria falar alguma coisa que se perdia no caminho. Eu fazia esforço para olhá-la nos olhos, mas era difícil. Mesmo depois de todos esses anos. Tentei dar a entender com o tom de cada palavra que aquilo era uma coisa do passado, que não me incomodava mais, que agora eu queria apenas revê-la e saber como andava a vida.
O desabafo foi seguido de um silêncio que tornava-se mais pesado a cada segundo. Havia alguma coisa fervendo dentro dela, dava para ver. Foi aí que os olhos dela brilharam mais do deveriam, lacrimejando. Quando vejo aquilo, sinto que o mesmo vai acontecer comigo, mas me seguro. Ela vira o rosto e olha para além da vitrine, onde um ponto de ônibus está lotado com os clientes do supermercado e estudantes recém-saídos de suas escolas, o trânsito lento e infernal. A acústica é tão boa no bar que o caos de fim de tarde do outro lado do vidro parece uma televisão ligada no mudo. Quando ela me olha de volta, vejo que ela não faz qualquer esforço para esconder os olhos marejados.
“E você nunca me contou nada? Nem pensou em me contar?”.
Eu não sei quantos de vocês já ficaram sem notícias de um parente ou de alguém que você ama por muitos anos. Aconteceu comigo uma vez, com uma tia que desapareceu por quase 10 anos no exterior e reapareceu após ser mantida em cárcere privado por um namorado obsessivo. A sensação é estranha. É como descobrir que um livro que você tinha dado como encerrado tinha uma continuação secreta. As memórias de hoje se misturavam com as de 12 anos atrás, da última vez que li esse livro. Ela começou a contar tudo.
Ela, como eu já disse antes, era o meu ideal de felicidade. Casara cedo, tivera filho cedo, empregara-se no serviço público cedo. Era tudo com o que eu sonhava. Eu sempre quis constituir uma família, ter uma vida simples, ter um filho cedo para poder aproveitá-lo ao máximo. Mas a falta de dinheiro e a busca por uma parceira ideal sempre ficaram no caminho, assim como a carreira. O problema é que ela tinha uma vida muito diferente do que eu imaginava, muito mais parecida com a minha à época.
Acho que já deixei claro o quanto eu era apaixonado por ela no passado. Ela não era bonita nem feia, tinha o tipo de rosto que se perde na multidão sem ser notado. Filha de pai negro e mãe branca, era morena e tinha o cabelo liso levemente ondulado, quase até a cintura. Quando éramos adolescentes, ninguém a elegeria a mais bela da turma, mas dificilmente negariam que tinha seu charme. Eu a achava linda.
Mas ela, como eu, era o tipo de pessoa que tinha a auto-estima no fundo do poço. Como eu, também cresceu em um lar bem humilde. Também colecionou desilusões amorosas. E, como todo mundo já sabe, isso te transforma em um alvo perfeito para relacionamentos abusivos. O namorado dela, assim como a minha namorada à época, era muito bonito e manipulador. E ela achava que ele era a única pessoa que gostava dela, o único que lhe daria atenção. E isso fez com que, por anos, ela suportasse tudo que aconteceu entre eles. Traições, brigas, mentiras, chantagens, ameaças de abandono, ciúmes doentios. A história deles dois era tão parecida com a minha história com minha primeira namorada que eu fiquei assustado. Só que, diferente de nós, eles casaram. Eles colocaram um filho no mundo.
Ele só piorou com o nascimento da criança. Ele não era mau com o filho, ela dizia. Era um pai carinhoso, inclusive. Mas o pouco amor e bondade que ele tinha por ela transferiu-se todo para a criança. Vivia para o trabalho, para o filho e para os amigos.
“A gente chegou a ficar sem se falar por meses”.
“Morando na mesma casa e sem se falar?”.
“Sim. Nem bom dia. Nada. Eu me sentia um fantasma”.
Na contramão dele, ela dobrava-se para dentro de si própria. Abandonou a faculdade para cuidar do filho enquanto o marido formou-se com seu apoio fiel. Vivia para o filho e tinha seus problemas conjugais menosprezados pela família. “É coisa de garoto, ele vai melhorar”. “Homem quando acaba de ter filho é sempre assim”. “Vai passar”. Mas não passou, só piorou. As traições recorrentes evoluíram para uma equação desequilibrada de álcool e uma amante fixa no trabalho que ele sequer fazia questão de esconder. Ele anunciou que ia deixá-la, convenceu-a de que era um bom negócio vender o apartamento que eles haviam comprado. Racharam o dinheiro e ele foi viver a vida. Ela voltou a morar com a mãe, agora viúva.
O filho, nitidamente a coisa mais importante daquela mulher, tornou-se a única razão para viver. A pensão que a mãe recebia era baixa, o salário dela também não era bom. A pensão que o marido dava ajudava a manter uma vida extremamente funcional e sem luxos. As roupas eram das lojas mais baratas. Viagens não existiam. O único gasto relativamente alto era com uma escola particular de qualidade para o filho. O resto era sempre no básico.
Contei para ela sobre o meu sonho de casar cedo, de ter uma vida tranquila e estável. Falei que eu admirava muito a vida que ela escolheu no começo, que era a vida que eu queria ter vivido. A grama realmente é mais verde no jardim do vizinho, ao que parece.
“Mas a sua vida parecia tão tranquila, tão perfeita”.
“A minha?”.
“A sua namorada naquela época era uma menina tão bonita, eu lembro dela. Loira, bonita de corpo. Até lembro que ela fazia medicina e ainda era dançarina. Eu achava ela linda, perfeita. E você… você era sempre tão fofinho. Carinhoso e atencioso com todo mundo. Inteligente pra caralho, nem estudava e tinha as notas mais altas em tudo. Todo mundo gostava de você, todo mundo queria ser seu amigo e você nem se esforçava para isso”.
“Eu não lembro disso…”.
“Porque você não se achava bom. Você tinha 16, 17 anos e sentava para conversar de igual para igual sobre cinema e livro com uns professores de 40 e poucos anos. Você parecia fluente conversando com os professores em inglês e espanhol enquanto a gente tentava chegar perto disso. Passou no vestibular de primeira. Você não percebia, mas você era o queridinho de todo mundo. Você não era o garoto malhado bonitão, você era o garoto charmosinho e inteligente que todo mundo gostava. Eu gostava de você também. Gostava mesmo, de verdade. Eu tinha uma paixãozinha por você. Mas eu achava que eu não tinha a menor chance. Eu achava que eu merecia o meu namorado. Que eu era feia, ruim. Que ele estava certo em me falar aquelas coisas”.
“Eu era completamente apaixonado por você”, eu respondo. “Eu pensava em você todo dia”.
Engraçado como as pessoas se veem de maneira tão diferente. Eu me definia de três formas quando a conheci: eu sou gordo, eu sou feio, eu moro num dos bairros mais pobres e violentos da cidade. No dia seguinte, de manhã, eu olharia minhas fotos de 12, 14 anos atrás e me surpreenderia com quem eu via ali. Eu era bonito, só um pouco acima do peso. Com 16 anos, eu já era o barbado da turma antes de barba ser coisa hipster. Na foto do colégio, uma das últimas do terceiro ano, eu parecia tão dono de mim, tão no controle. Eu tinha aquela cara de inteligente e rebelde. Por dentro, eu era completamente diferente. Inseguro, assustado, sem auto-estima alguma e com uma namorada abusiva.
São sete e meia e a noite já começa a cair no horário de verão. Educadamente, uma das atendentes nos indica que a galeria onde o café funciona vai ser fechada em breve. Eu pago a conta e nós ficamos meio perdidos, sem saber o que fazer. Ela ainda tem os olhos inchados, eu também. Os funcionários da loja nos olham de forma surpreendentemente carinhosa, não sei o quanto eles escutaram do desabafo.
Saímos em silêncio do café, ela atendeu a uma ligação da mãe. Minha esposa estava fora do estado e só voltaria dali a alguns dias, então eu estava bem relaxado em relação às horas.
“Não sei se você precisa voltar para a casa por causa do Hugo, mas tem um bar aqui perto que é bem vazio a essa hora. A gente pode sentar pra conversar”, eu digo.
“A gente tem mais coisa para conversar?”. Ela pergunta sorrindo, não vejo nenhum traço de mágoa no seu rosto.
“Claro que tem. Doze anos não se resolvem em duas horas”.
Fomos para um bar pequeno ali perto, um que eu costumava frequentar nos tempos de faculdade. Nos tempos em que eu pensava nela e não me achava capaz de tê-la. Ele pouco havia mudado de 12 anos para cá: a mesma atmosfera que fazia dele aconchegante e levemente depressivo ao mesmo tempo. Era um bar das antigas, com azulejos portugueses azuis e poucos frequentadores. O atendimento era excelente e o preço razoável para a região, mas aquela estética de 40 anos atrás parecia espantar os frequentadores mais jovens. Os poucos que iam lá, no entanto, eram fiéis. Como eu fui no passado.
Nos sentamos no fundo do bar vazio em plena terça-feira e desnudamos nossas vidas um para o outro. “Eu quero saber quem você é”, eu comecei. “A gente falava sobre um monte de coisa, mas eu não sei nada sobre você. Sobre sua família. Sobre sua infância, quem você é. E você não sabe nada sobre mim”. Ela riu. “Você é maluco”. “Não, só quero te conhecer melhor. Compensar por ter sido um babaca há doze anos”.
A conversa foi agridoce. O que mais me assustava era como tínhamos origens semelhantes, desde a família até a criação. Os dois criados no subúrbio do Rio de Janeiro, os dois de famílias humildes que, por conta da pobreza e da necessidade de contar uns com os outros, permaneciam unidas. Primos de terceiro ou quarto grau criados próximos, filhos que casavam e formavam suas famílias nas casas dos pais. Assim como a minha família, a dela investiu tudo que tinha para que ela estudasse em um colégio particular até que eventualmente ela passou para uma escola pública de elite.
Nossas duas famílias tinham essa estranha tradição carioca que mistura catolicismo, umbanda e espiritismo, um sincretismo religioso que eu, como ateu, tenho dificuldade em entender - mesmo tendo crescido nesse meio. Assim como eu, achava-se feia, indesejada na adolescência. Isso fez com que rapidamente trocasse o mundo cor de rosa pelo rock e pelos livros. No meu caso, eu acrescentaria videogames e RPG, mas o resto não mudava muito.
“Na minha escola, tinha muita patricinha, muito playboy. Eu não aguentava eles. E eles sabiam que eu era pobre, então não se misturavam muito comigo”. Contei a minha versão para ela. “Eu gostava de ler, RPG e jogar videogame. Mas eu era muito pobre, fodido mesmo. E isso tudo era coisa de gente com grana na época, né? Então eu acabei ficando amigo dos nerds na época por conta dos gostos comuns. Eu tive sorte, demoraram a perceber que eu era pobre. Eu tenho toda a pinta de gente com grana, essa cara de europeu que engana. Quando perceberam que eu era duro, foi só no segundo grau. Ali eu já era um pouco mais cascudo, tinha bons amigos”. Ela não.
Era tudo tão igual que, em dado momento, eu parei de falar que havia sido igualzinho comigo. Eu esperava ela terminar a parte dela. Falava a minha. E intercalávamos nossas histórias, os dois surpresos com as semelhanças. Provavelmente a grande diferença era a vida dela após ter o filho e abandonar a faculdade. Ela trabalhava em uma repartição pública onde tinha 20 anos a menos do que a segunda funcionária mais nova, se afastou dos amigos. Era estranho conversar com ela. Não usava redes sociais praticamente, apenas para trocar mensagens com parentes distantes e mostrar fotos do filho para eles. Não via séries, não tinha Netflix - só novelas. Não conhecia bandas novas, não era muito de ir ao cinema. Era uma sensação estranha, mas parecia que boa parte da vida dela tinha parado em 2006 ou 2005. Os hábitos dela e poucos hobbies pareciam os de uma pessoa de 50 e poucos anos.
Me doeu imaginar o que poderia ter sido, o que poderíamos ter feito juntos, como poderíamos ter sido bons um para o outro. Pensei na minha esposa, que tem um perfil familiar radicalmente diferente do meu. Ela vem de uma família de classe alta, só com engenheiros e funcionários públicos de elite. O mundo dela era muito diferente do meu, tão diferente que às vezes me assustava. Famílias que não se falavam e que, mesmo endinheiradas, brigavam por herança e cortavam laços de vida por conta de bens que eles não precisavam. Todos católicos ou evangélicos, sem exceção. No máximo um ou outro ateu escondido no armário, como eu.
Essa diferença nos causava estranhezas, pontos de atrito que me surpreendiam. Quando eu elogiava a decoração de uma festa, ela falava do preço e da empresa que a produziu. Ela sentia uma obrigação social em aparecer em eventos familiares ou do círculo social deles, de ser e parecer uma boa esposa. Eu só queria estar onde eu estava afim e quando eu estivesse afim, nunca vi a família como uma obrigação social. Eles discutiam herança entre irmãos com os pais bem vivos, nós nos preocupávamos em fazer companhia à minha mãe quando meu pai morreu. Já era meio subentendido que abriríamos mão de qualquer coisa e deixaríamos tudo para minha mãe, tendo direito ou não.
Havia uma preocupação com patrimônio, normais sociais e aparências que, por muitas vezes, me assustavam. Muitas vezes ela parecia desgastada ou enojada com isso também, mas fazia porque alguém na família tinha que fazer, porque era tradição, porque sempre foi assim. Eu assistia àquilo atônito, impressionado como uma família tão numerosa quanto a minha - com literalmente dezenas de primos e tios até de terceiro grau que moravam em um mesmo bairro - era tão mais simples e unida do que uma dúzia de endinheirados que pareciam brigar por coisas fúteis.
Ela, que estava ali do meu lado, não. Tudo que ela me contava soava como uma cópia fiel da minha família, apenas em escala ligeiramente menor. Pensei em como as coisas seriam simples ao lado dela, despreocupadas, tranqulas. Que eu não passaria a vida sendo julgado pela família da minha companheira como o ex-pobre com pinta de hipster que conseguiu ganhar algum dinheiro, mas não tem muita classe nem é muito cristão, como nos últimos anos.
As palavras que saíram da boca dela depois de uns dois ou três copos de cerveja poderiam muito bem ter sido lidas do meu pensamento. “Você acha que a gente teria sido um bom casal? Que a gente ia se dar bem?”.
“Não tem como saber”, eu respondi. “Mas a gente pode imaginar”. E a gente começou a brincadeira mais dolorosa da noite, imaginando como seria se tivéssemos ficado juntos 12 anos atrás.
“Eu jogava videogame para caralho, você ia se irritar. E eu ia te pentelhar para jogar comigo”, eu comecei.
“Eu gostava de videogame, só não jogava muito. Eu ia te arrastar para show da Avril Lavigne e da Pitty, você não ia gostar”.
Eu sorri. “Eu não tenho nada contra as duas”.
“Britney e Justin Timberlake também”.
“Porra, aí você já tá forçando a barra, amor tem limite”.
Falamos sobre meus primeiros estágios, sobre como eu era maluco e fazia dois estágios e faculdade ao mesmo tempo. Saía de casa às cinco da manhã e voltava às onze da noite. Tudo para conseguir ter uma grana legal, já que na minha área os estágios eram ridiculamente baixos. Ela falava sobre a rotina de estudos para concurso, sobre como foi difícil conciliar a faculdade - que ela eventualmente abandonou por causa do filho - com o recém-conquistado emprego público. Eu falava do meu início de carreira, que foi bem melhor do que eu jamais imaginara, como subi rapidamente. Como eu achava estranho ganhar a grana que eu ganhava - que não era nada extravagante, garanto - mas meus hábitos simples faziam com que eu mal gastasse metade do salário. Ela falava da depressão que tomou conta dela ao perceber que estava num emprego extremamente burocrático e ineficaz, deixando-a incapaz de buscar outras alternativas. Falamos sobre a morte dos nossos pais, que parecem ter conspirado para falecer no mesmo ano.
Em algum momento, a cabeça dela repousou no meu ombro. Eu não soube o que fazer. Pensava apenas na minha esposa, em jamais ter traído ela nem nenhuma outra mulher. Foi aí que eu percebi que ela chorava e, novamente, eu chorei também.
“É engraçado a gente ter saudade de algo que a gente não teve”, eu disse, lembrando de um livro que eu li há muito tempo.
“Acho que a gente seria um casal do caralho”, ela disse, com um inesperado sorriso entre as lágrimas.
“Ou talvez a gente se detestasse e desse tudo errado, a gente nunca vai saber”.
“A gente nunca vai saber”, eu repeti, mentalmente. Como um vírus, a ideia se espalhou dentro de mim rapidamente. “Eu posso fazer uma diferença na vida dessa mulher, na vida do filho dela, na própria família dela. Eu posso ter uma vida mais tranquila ao lado dela, sem essas picuinhas de família rica. Minha esposa pode encontrar um homem muito melhor para ela. Um cara rico, cristão e que tenha a classe e pose que a família dela tanto quer. Isso pode acabar bem para todo mundo”.
Mas não podia. Lá no fundo, eu sabia que não podia. Eu tinha quase uma década de história com minha esposa. Eu tinha um casamento plenamente feliz atrapalhado por alguns poucos problemas familiares e inseguranças minhas. Tínhamos uma química ótima, gostos parecidos para livros e filmes, nos dávamos bem na cama. Valia a pena jogar aquele relacionamento tão bom e funcional - algo que me parece cada vez mais raro hoje em dia - por uma aventura fugaz? Um remorso do passado? Em um relacionamento com uma estranha que eu estava voltando a conhecer havia algumas horas?
“Você nem a conhece”, dizia a cabeça. “Ela é igual a você”, dizia o coração.
No fim das contas, eu segui a cabeça. Conversamos até quase dez da noite. Pegamos um Uber e fiz questão de deixá-la em casa, um prédio pequeno em um bairro abandonado do subúrbio. Quando o carro parou, ela se demorou um pouco do meu lado e, por impulso, eu segurei a mão dela. Ela me encarou assustada e ansiosa. Eu pensei em beijá-la, em ligar o foda-se e jogar tudo para o alto ali mesmo. Mas eu só desci do carro com ela na rua deserta e caminhamos juntos para dentro do prédio, sem saber exatamente o que a gente estava fazendo. Pedi para o motorista me esperar e disse que depois acertava uma compensação com ele.
“Eu vi o seu Facebook. Você é casado com uma mulher linda. E inteligente. Você não vai me trocar por ela. Nem eu quero acabar com o seu casamento”.
“Você acha ela linda e inteligente?”.
“Você sabe que ela é”.
E então eu desabafei. Falei que passei as últimas semanas reavaliando meu casamento e meu futuro, encarando a foto dela no Facebook de tempos em tempos. Que meu coração quase parou quando encontrei-a pela primeira vez. Que eu gostava de tudo nela. Da dedicação como mãe, da simplicidade, dessa aura de pessoa correta que ela exalava sem fazer esforço, desse espírito suburbano e familiar que ela tinha. Dos olhos dela, tão animados no passado e tão tristes agora. De como eu estava me segurando para não beijá-la naquele dia todo.
“Você é linda. Eu sei que você se acha feia, eu sei que você acha que ninguém vai se interessar por você. Mas você é uma mulher foda, e nem preciso subir para saber que você é uma mãe foda, uma filha foda. Não deixa a vida passar. Eu tenho certeza que tem mais gente que, igual a mim, já percebeu isso em você e não sabe como falar. Não faz de novo a mesma coisa que a gente fez lá atrás. Eu só queria que você soubesse disso porque eu acho que você merece ser muito mais feliz do que você é agora. E você não tem ideia de como você me deixou maluco esses dias todos. Eu sou bem casado com uma mulher linda sim, mas só de encontrar você eu tive vontade de jogar tudo para o alto”.
Foi um monólogo mais longo do que eu esperava. De novo, ela chorou. Dessa vez, eu contive as lágrimas. O abraço que partiu dela foi um dos melhores e mais tristes que já ganhei na minha vida. Havia ali uma história de amor não vivida, saudades de uma história que jamais colocamos no papel, de um mundo que nunca existiu. Ela me apertou forte e eu sentia minhas mãos tremerem.
Encostamos as laterais do rosto um do outro, aquele prenúncio de um beijo adiado. E que tive que usar todo auto-controle do mundo para manter adiado. Me afastei, olhei nos olhos dela, sorri e fui embora. Quando o Uber saiu, ela ainda estava parada na portaria e minhas mãos ainda tremiam.
Eu não sei se essa história acaba aqui ou não. Mas eu tenho quase certeza que sim. Algum dia eu vou contar tudo isso para a minha esposa, mas vou esperar esse sentimento morrer primeiro. Eu conheço ela o suficiente para saber que, em um bom momento, ela não ficaria triste com essa história. Eu até consigo imaginar a reação dela, repetindo a frase que ela me diz desde que a gente casou. “Eu te conheço. Você não vai me trair com alguma gostosona oferecida por aí. Se alguma coisa acontecer, você vai se apaixonar por alguém. Eu te conheço, você é romântico. Mas a gente se resolve”.
Quando cheguei na minha casa vazia, sentei e escrevi quase tudo isso de uma tacada só. Sem revisão, sem pensar muito. Eu acho que eu poderia escrever dezenas de páginas sobre os detalhes da conversa, mas isso aqui já está longo demais. Antes de dormir, eu vejo que tenho uma mensagem no Whatsapp.
“Foi muito bom encontrar você”.
Toda aquela tentação de falar algo mais grita dentro de mim, se debate.
“Foi bom te ver também :) “.
Por via das dúvidas, coloquei o celular em modo avião e suspirei. “Eu tô feliz ou triste?”, me perguntei. Parece uma pergunta simples e relativamente objetiva, mas eu não soube responder. Eu custei a dormir, com medo de sonhar com ela. Quando eu acordo no dia seguinte e me preparo para ir ao trabalho, a impressão que eu tenho é de que tudo foi um sonho. Vê-la, reencontrá-la, chorar, abraçá-la.
E, como quando a gente acorda de um sonho triste, eu volto a viver minha vida normal para esquecer. Hoje tem reunião com cliente. À noite, preciso pegar minha esposa no aeroporto.
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2017.11.18 22:07 BoneArrowFour Desabafo sobre irmão

Boa tarde, povo do Reddit!
Eu preciso muito desabafar sobre o meu irmão mais velho que causa problemas não só para mim, mas para todo mundo
Hoje em dia, ele tem 20/21(nem sei mais) anos, mas o problema começou desde pequeno. Desde pequeno, ficava brigando por motivos bestas, como por exemplo dizendo que eu tinha que avisá-lo quando eu ia tomar banho(o que continua até HOJE, PS:ELE TEM 20/21 ANOS), eu usar o "copo preferido dele"(outra vez, até mesmo HOJE EM DIA), ou, esses dias, quando eu "acordei ele" enquanto pegava moedas do meu guarda-roupas de manhã(o infeliz reclama, mas ele acende a luz no meio da noite, quando chega da faculdade), entre outras coisas de mesmo nível. Sinceramente, acho que ele deve ter algum problema mental(principalmente Esquizofrênia), uma vez que ele frequentava psicologo(ou psiquiatra, não tenho certeza). Além disso, vira-e-mexe ele fala que estou tentando copiar ele, pois ele acha que eu o admiro. Não continuarei falando sobre coisas que acontecem comigo, e agora falarei sobre o que ele faz com a minha familia
Meus pais são recém-divorciados(fim do ano passado). Minha mãe, que infelizmente nunca teve oportunidade de fazer pós, não teve dinheiro para comprar uma casa própria depois disso(recusou as inumeras tentativas de ajuda que meu pai tentava dar), e por isso eu, esse tal de irmão mais velho, e o mais novo(pequeno, <10 anos)fomos morar com ela na casa de nossa avó. Esses dias, o mais velho disse para minha mãe que ela "era o exemplo do que não fazer", que "ela era uma fracassada" e que ela "tinha o feito se tornar alcoólatra"(ele paga de alcóolatra, mas na verdade só bebe para aparecer), e que ela nunca fez nada por ele, porque ele "só foi uma vez para o exterior"(PS:Essa viagem aconteceu recentemente, e ELA FEZ UM PUTA SACRIFICIO PARA CONSEGUIR PAGAR A VIAGEM). Isso arrasou minha mãe, que ficou muito triste com o incidênte, pois ele não sabe os sacrifícios que ela fez por nós.
Com meu pai(que tem salários melhores), ele fica toda hora mandando indiretas do tipo "pais decentes fazem de tudo pelos filhos", ou "o meu amigo x viaja todo ano para a Italia/Alemanha/pqp, isso sim que é ser feliz", ou "se é para ter filho e não fazer de tudo para ele ser feliz, então não tenha" ou coisas do gênero. Ele ficou bravo pela redução da mesada que ele ganha(Nessa altura do campeonato, nem devia mais estar ganhando mesada, passou 3 anos no cursinho e ficava jogando videogame escondido ao invés de estudar, sendo pego uma vez), reduzido agora à "miseros" 100 reais por SEMANA(WTF?), ainda exigindo que o pai pagasse pelas festas e viagens que ele quer fazer. Agora que meu pai tem uma namorada(muito gente boa, por sinal, graças a Deus), ele fica tentando provar para ela como ele é "vida loka lol" para ela, criando diversas situações falsas e distorcendo fatos(que eu estava presente, então sei que são mentiras).
Na casa de minha vó(onde estamos morando agora), ele a trata mal, muitas vezes à ignora e/ou manda ela calar a boca, dizendo para não se meter na vida dele e coisas do tipo, dizendo para ela cuidar dos assuntos dela, se recusando a ajudar(a menos que nossa mãe esteja olhando, que mesmo sendo "uma vergonha", ele ainda quer impressioná-la).
Na rua/meios sociais, ele também é terrível. Na rua, quando nenhum responsável está presente, ele se acha o Speed Racer das ruas, correndo, costurando e furando semáforos, mesmo com NOSSO IRMÃO MENOR NO CARRO JUNTO! Pior é quando ele vê qualquer carro mais simples na rua, como por exemplo um Uno velho, e fica dizendo:"Hurr quem dirige essa lata-velha nem é gente", e coisas do tipo, xingando as pessoas de sobrepeso nas ruas(muitas vezes, mas nem sempre,abaixando a janela para fazê-lo), e fica babando ovo para carros mais caros, deixando-os serem folgados sem serem xingados. No meio social(estes, não sei se acontecem ou não, pois não frequento os mesmos lugares que ele), ele fica falando que arranja brigas, que é amigo de muitas meninas bonitas, que contam tudo para ele(isso eu sei que é mentira, pois ele vem falar comigo falando "Nossa, hoje mina X me contou isso isso e isso", e quando dou uma "stalkeada" no face delas para ver, elas postaram algo sobre isso, e ele fala para todo mundo que elas foram pessoalmente falar com ele), e acha que abafa nas festas, principalmente uma vez(recente, mas outra vez, não sei se é verdade), que ele chegou em uma mina que ele quase nunca(ou nunca, sla) tinha falado na vida e disse "Hurr, vou ser o pai dos seus filhos um dia" em uma festa(CRINGE).
Enfim, desculpe o longo post, mas eu preciso desabafar. Estou em fase de vestibulares e o stress ta grande, mas estou tentando arranjar formas de desabafar. Além desse post, estou tentando jogar mais videogames e considerando esse irmão mais velho como "uma preparação para a vida", visto que terei de conviver com pessoas como ele no trabalho querendo ou não, e por isso essa convivência me deixará mais forte para o futuro.
Obrigado mais uma vez, e desculpa pelo longo post!
Edit:OBRIGADO A TODOS que vieram comentar, seja os que vieram inconformados, ou os que vieram dar a opinião, e os que vieram prestar solidariedade, obrigado! Agora eu sei que posso contar com vocês quando quiser desabafar!
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